Conhecendo a tradição do chá na Rússia

Por Natália Petrin em Cultura, Degustação

Que o chá é adorado por muitas pessoas ao redor do mundo, todo mundo já deve saber, não é mesmo? Seja para fins medicinais ou simplesmente para desfrutar de uma bebida agradável, o chá tem se tornado uma das bebidas mais populares ao redor do mundo, oferecendo diversos benefícios.

Na Rússia, assim como alguns outros países orientais – que inclusive influenciaram sua disseminação ao redor do mundo – existe uma forte tradição do chá.

Samovar

O samovar é um dos exemplos das influências que o país sofreu. Trata-se de uma mistura entre um aquecedor de água e um pote de chá que, presume-se ter se desenvolvido a partir do pote quente Tibetano.

Ao invés de esquentar a água do chá, os russos queimam a erva do chá dentro do samovar, em um pote que fica no topo, e nele é preparado um concentrado escuro denominado zavarka. Com a água quente, esse chá é diluído apenas quando é servido.

São usados lá, normalmente, chás pretos da Índia e da China, puros ou misturados com chás de ervas e frutas, sendo que a mistura de chás pretos com aroma leve esfumaçado conhecido como Russian Caravan é o favorito.

Conhecendo a tradição do chá na Rússia

Foto: Reprodução/ internet

História

No início do século 17, os russos conheceram o chá na China quando embaixadores chineses presentearam o czar Mikhail Romanov com várias caixas de chá que eram cultivadas nas fronteiras das atuais províncias de Hubei e Hunan. O chá passou a ser transportado para a Europa e chegar a Rússia por meio do Oriente. Com a grande influência asiática que o país teve em sua cultura no decorrer dos anos, acabou se tornando uma tradição.

Acredita-se, quando se trata do samovar, que este foi levado para a Europa pela primeira vez pelo imperador Pedro, o Grande. Outras fontes fazem referência a aparição deste método de chá após a sua morte nos Urais.

A indústria de samovares somente surgiu, no entanto, em torno do ano de 1778 em Tula, cidade que fica aproximadamente 200 quilômetros distante de Moscou, que era centro de comércio de chá e de extração de minério de ferro entre os séculos XVII e XIX.

A cidade contava com aproximadamente 28 fábricas de samovares com capacidade para 120 mil deles por ano em meados do século XIX. Existe, inclusive, uma expressão que significa “não se leva samovar para Tula”, que no Brasil teria o mesmo significado de “não se leva sanduíche para o banquete”.

Surgiram ainda os samovares para casas de chás, para viagens, niquelados e familiares. O chá virou então uma das principais bebidas oferecidas e consumidas nas visitas em casas.

O ritual do chá

O ritual russo está centrado no samovar, que fica no centro da mesa na hora de servir. Ao seu lado, deve estar um bule em que é preparada uma infusão forte, permitindo que cada convidado coloque a quantidade desejada da infusão e complete com a água quente. No passado, as bebidas eram adoçadas com pedrinhas de açúcar, hábito herdado da Sibéria. Os russos servem ainda chá com limão em fatias finas e mel, além de doces diversos e é sempre consumido bastante quente.